terça-feira, dezembro 05, 2017

DAMPYR VOLTARÁ AO MERCADO EDITORIAL...

...MAS PARA QUE ISTO ACONTEÇA, PRECISAMOS DO SEU APOIO.



Uma HQ com 388 páginas... Um preço especial.... Dampyr pode te surpreender... é um quadrinho diferente de tudo o que você já viu!!! A tiragem é limitada! Garanta já o seu! 

domingo, dezembro 03, 2017

MÁGICO VENTO #127



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SAIU NOS JORNAIS...


Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo em 26 de setembro de 1994

NO TEMPO DOS AUDAZES E MALDITOS

Dois cowboys concebidos sob ótica europeia divergem sobre o Velho Oeste. Blueberry critica a matança indiscriminada dos índios. Tex vive o clichê do valente mocinho.

Rosane Pavam



Mocinhos e bandidos lutam por um pedaço de chão desde que há o mundo. A História viu romanos, vikings, sikhs, beduínos, samurais, cavaleiros e homens do cangaço agir como cowboys. Por essa razão, o gênero western parece ter mil anos; nada do que ele nos diz é novo e nada, propriamente, envelhece. Blueberry e Tex, o Águia da Noite, são personagens que venceram o cansaço do leitor.


FORTE NAVAJO é uma aventura e uma autocrítica à insistência do colonizador em sobreviver na paisagem inóspita. Foi escrita em 1963 por Jean Michel Charlier, para a revista Pilote, e desenhada por um certo senhor Gir, Jean Giraud, que algum tempo depois se tornaria o Moebius de uma centena de narrativas de ficção científica. Em Forte Navajo não há seres inumanos nem galáxias distantes. A valentia habita, sozinha, o planeta estéril de nome Arizona.


Blueberry é um tenente à moda do detetive Phillip Marlowe, de Raymond Chandler. Trabalha porque assim dita a vida, mas – diz ele, sem tanta convicção – não arrisca seu pescoço por causas nobres. Fuma, bebe, jogam trapaceia, faz farra no saloon e não tem predileção especial por sua farda azul, visto que age como um vaqueiro. Principalmente, encara com muito humor o fato de ser o sujeito mais esperto, rápido e independente de toda a região árida. Entre seus inimigos, o mais poderoso é sua própria inteligência, que o faz ver tudo claro demais. O tenente solitário está no foco da resistência apache. Em um saloon, encontra Graig, outro tenente do forte, muito jovem, arrumadinho e – ainda por cima – filho de general. O homem pensa ser depositário de moral e civismo, mas Blueberry vai ensinar-lhe, ainda que a contragosto, como a vida é.



Claro que o velho leitor acostumado a velhas tiranias não verá em Blueberry seu herói (cinismo e risco são armas da juventude). Concebida por dois franceses, essa história refaz o ridículo da virilidade ianque e ilustra a luta interior de qualquer pessoa obrigada a viver num mundo sujo. As responsabilidades de Blueberry são as de um existencialista, tipo muito comum na Europa nos anos 60, quando a história foi escrita. Mestre Gir, no entanto, dá a ele todos os elementos visuais de um cowboy. Neste faroeste, há muita poeira, cavalgadas por entre vales e montanhas rochosas, índios ferozes e armados. John Ford, o cineasta norte-americano de Nos Tempos das Diligências e Rastro de Ódio, assinaria um gibi assim.


O ÍDOLO DE CRISTAL, primeira história colorida de Tex publicada em 1980 na Itália, é um caso bem diferente. A retidão do caráter do Águia da Noite assemelha-se muito à impiedosa insensatez do Super-Homem. Suas ações heroicas são um tanto previsíveis, assim como a mania etnocêntrica de julgar seus oponentes indígenas. Ainda assim, Tex não é um bárbaro branco e aprendeu muito com nativos como Tigre, seu companheiro. Os dóceis navajos estão na lista daqueles que sabe respeitar. Ainda a seu lado há o velho Kit e o pequeno Águia. Filho e continuador de sua valentia. Os quatro cavalgam para todo canto juntos e tentam somar suas inteligências como os três sobrinhos do Pato Donald fazem, invariavelmente, com algum sucesso.


Tex tem muitos admiradores no Brasil e no mundo, e as razões para isso são várias. Suas histórias vulgares até, possuem bons ganchos narrativos, tiros e ação. Não há nelas contraponto de humor e dúvidas como Blueberry nem interpretações históricas da ocupação americana. Os autores do trabalho, o roteirista G.L. Bonelli e o desenhista A. Galleppini, fazem ventilar a face exterior e viril do drama western, a fase que os garotos gostam de imitar nas suas simulações de bangue-bangue.


As ilustrações de Galleppini mostram esse primarismo. Embora desenhados com capricho anatômicos os personagens não tem expressão em seu rosto. Há muito pouco que dizer sobre a paisagem que percorrem, um cenário pintado com preguiça e obviedade. Muitas vezes, para explicar os próximos passos da ação, o desenhista coloca os quatro homens falando sem parar... durante a cavalgada! Tex Willer é um cinema B sem recursos; tem muita palavra, muita ação e técnica primária. Para ser chamado de arte precisará evoluir muito, o que não parece ser até agora a intenção de seus realizadores.





EDITORA LA SELVA


O TERROR NEGRO #87


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POSSANTE - EBAL


POSSANTE #48
Janeiro de 1957
Editora Brasil-América Ltda
Colaboração: Wellington
Digitalização: HQ Point

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REUPANDO - ATENDENDO PEDIDO...



CABO HORN
Volume 1
"A Baía Oriental"
Tradução: Ane Forcato
Letras: PC Castilho

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THE ART OF JOE WIGHT



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GRAN CIRCO KABUM


GRAN CIRCO KABUM #3
Colaboração: Francisco Feitosa

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FLÁVIO COLIN


HOTEL DO TERROR
Flávio Colin
Digitalização: HQ Point


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DYLAN DOG


DYLAN DOG #17
Mythos Editora
"Obsessão"


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BOUNCER #9


BOUNCER
Volume 9
"O Retorno"
Tradução e letras: PC Castilho


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32 ÁLBUNS DE BLUEBERRY


Arquivos compactados em Winrar
Divididos em 6 pacotes


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MAIS UM LIVRO DO GENIAL YUVAL HARARI


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em PDF

Neste Homo Deus: uma breve história do amanhã, Yuval Noah Harari, autor do estrondoso best-seller Sapiens: uma breve história da humanidade, volta a combinar ciência, história e filosofia, desta vez para entender quem somos e descobrir para onde vamos. Sempre com um olhar no passado e nas nossas origens, Harari investiga o futuro da humanidade em busca de uma resposta tão difícil quanto essencial: depois de séculos de guerras, fome e pobreza, qual será nosso destino na Terra? A partir de uma visão absolutamente original de nossa história, ele combina pesquisas de ponta e os mais recentes avanços científicos à sua conhecida capacidade de observar o passado de uma maneira inteiramente nova. Assim, descobrir os próximos passos da evolução humana será também redescobrir quem fomos e quais caminhos tomamos para chegar até aqui.


terça-feira, novembro 28, 2017

NÃO DEU PRA RESISTIR... UM LIVRO MARAVILHOSO.


                                         SAPIENS 

              UMA BREVE HISTÓRIA DA HUMANIDADE



Tradução de Janaína Marcoantonio


"Harari é brilhante [...] Sapiens é realmente impressionante, de se ler num fôlego só. De fato, questiona nossas ideias preconcebidas a respeito do universo." (The Guardian)

Um relato eletrizante sobre a aventura de nossa extraordinária espécie – de primatas insignificantes a senhores do mundo.

O que possibilitou ao Homo sapiens subjugar as demais espécies? O que nos torna capazes das mais belas obras de arte, dos avanços científicos mais impensáveis e das mais horripilantes guerras? Yuval Noah Harari aborda de forma brilhante estas e muitas outras questões da nossa evolução.

Ele repassa a história da humanidade, relacionando com questões do presente. E consegue isso de maneira surpreendente. Doutor em história pela Universidade de Oxford e professor do departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, seu livro não entrou por acaso nas listas dos mais vendidos de 40 países para os quais foi traduzido.

Sapiens impressiona pela quantidade de informação, oferecida em linguagem acessível, atraente e espirituosa. Tanto que, na primeira semana de lançamento nos Estados Unidos, já figurava entre os mais vendidos na lista do The New York Times.

Em Sapiens, Harari nos oferece não apenas conhecimento evolutivo, mas também sociológico, antropológico e até mesmo econômico. Ele se baseia nas mais recentes descobertas de diferentes campos como paleontologia, biologia e antropologia. E, especialmente para a edição brasileira, realizou algumas atualizações no final de 2014.

Esta edição traz dezenas de imagens, mapas e tabelas que o deixam ainda mais dinâmico.



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(em PDF)

sábado, novembro 25, 2017

TRADUÇÕES HQ POINT


CABO HORN - VOLUME 2
"O DESPERTAR DE CORMORANT"
Tradução de Ane Forcato
Letras de PC Castilho

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PRESS EDITORIAL



AS AVENTURAS DE R. CRUMB
Edições 1 e 2 - Editora Press
Colaboração de Francisco Feitosa

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SAIU NOS JORNAIS...

Publicado originalmente no Jornal O Estado de São Paulo em 21 de junho de 1986


PICASSO DO UNDERGROUND

Alegre-se. Ou apavore-se: o psicodélico, descarado, insano e genial Robert Crumb está de volta. A Press Editorial acaba de lançar As Aventuras de R. Crumb – o mais famoso e pioneiro autor underground dos quadrinhos, criador de Fritz, the Cat, Mr. Natural e da capa daquele primeiro álbum de Janis Joplin. No dia 23, será lançado no Madame Satã, com vídeos e som ambiental. Mas até lá, você já pode ir enlouquecendo a cabeça com o álbum.

Dagomir Marquezi

Uma freira castradora, de machado na mão. Sexo grupal na banheira, entre gatos, cachorros, macacos, aves, tamanduás, todos devidamente calibrados. Papai Joe transa com a filha. Mãe Louis não só não acha ruim, como veste sua melhor lingerie e seduz o filho. Um homem vive feliz num orifício anal. Jimi Hendrix toma um ácido e se perde na bruma púrpura do fim dos tempos.

Esta é a terra de Robert Crumb, a terra da liberdade absoluta, onde palavras como “censura” e “bom gosto” não tem o menor sentido. Robert Crumb é o exemplo do que pode acontecer quando não existe nada entre um brilhante cérebro criador e um papel em branco.



Estamos falando de um mito dos anos 60 e dos quadrinhos de todos os tempos. Este mito está de novo ao alcance dos nossos olhos graças à Press Editorial de São Paulo e seus editores, a infalível dupla Gualberto & Cruz. Eles tiveram a inspirada ideia de publicar As Aventuras de R. Crumb, uma revista sem periodicidade e, felizmente, sem nenhuma censura. Lá está, em estado bruto, com todas as palavras, o universo cru deste maluco que se negou a ficar rico, mas não conseguiu escapar de ficar famoso.

A revista começa com uma aventura que tem como protagonista o próprio Crumb. Na falta do que fazer, ele se inscreve numa escola na qual se ensina o conformismo – e lá está a freira castradora. Crumb mata a freira, explode a escola e arranja umas meninas para se divertir: “Ok, eu sou um porco chauvinista, mas ninguém é perfeito...”


Em seguida, vem Fritz the Cat. Fritz foi uma das primeiras criações de Crumb, quando ele estava pelos 16 anos. Transformou-se lentamente num gato sexy, sempre de pulôver, que chegou a ganhar dois filmes de animação em longa metragem (em 1969 e 1974, respectivamente). A revista reproduz uma das histórias mais conhecidas de Fritz. Nela, fica claro o seu inconfundível estilo de iniciar uma narrativa a partir do nada. Fritz e dois amigos tentam ganhar umas gatinhas, mas elas escapam, Fritz vai atrás, passa-lhes uma cantada existencialista, e terminam os quatro numa banheira seca – entre gemidos. Um monte de personagens resolve entrar na farra, chega a polícia...

Joe Blow é outro exemplo de técnica “crumbiana”: a partir de um primeiro quadrinho completamente “careta”, tudo descamba para a pouca vergonha. No caso, a história de uma família normalíssima e bem comportada – mas a história termina no mais deslavado incesto. Mister Natural, o guru de longas barbas, mereceu na revista da Press Editorial, uma pequena história de três páginas – muito pouco para a riqueza desse personagem, que oscila entre a filosofia profunda e a mais profunda baixaria.



E tem mais. Tem Algelfood McSpade, uma selvagem crioula africana que enlouquece os homens. Tem Salty Dog Sam, o preto complexado que sempre entra bem. E tem uma versão em quadrinhos do clássico Purple Haze, um hino involuntário que Jimi Hendrix compôs naqueles tempos, muito mais divertidos que o atual.

Robert Crumb nasceu no dia 30 de agosto de 1943. Filho de católicos e viciados em TV. Seu pai era um oficial da Marinha. Após algumas tentativas de participar de revistas tipo Mad, Crumb descobre seu destino: a imprensa underground.


Em 1966, ele se muda para San Francisco, a pátria dos hippies, das drogas alucinógenas, da música psicodélica e a semente da nação Woodstock. Lá, Crumb cria a Zap Comics, uma revista vendida de mão em mão. Na época, ele não sabia que a Zap se tornaria um símbolo do anticonformismo e de uma cultura nascente. NO ano seguinte, sua amiga (íntima) Janis Joplin convida-o para desenhar a capa de seu álbum de estréia. Crumb briga com a gravadora, dispensa o pagamento, mas não adianta – seu desenho corre o mundo, na capa da CBS.

Apesar dos temas avançadíssimos e das abordagens pra lá de ousadas, o desenho de Crumb tem raízes nos pioneiros dos quadrinhos americanos – Elsie Segar (criador de Popeye), Carl Barks (Tio Patinhas) e George Herriman (de Krazy Kat). Essa “contradição” entre forma e conteúdo produziu um efeito avassalador entre os leitores de quadrinhos. Crumb tornou-se um dos mais influentes criadores de todos os tempos. Vinte anos depois, ele continua sendo descaradamente imitado por artistas de quadrinhos de todo o mundo.



Magro, curvado, de óculos redondos, bigodinho e roupas caipiras. Robert Crumb dispensa fama e fortuna. Tudo o que ele deseja nestes tristes anos 80 é tocar banjo (ele já gravou vários discos). E, de vez em quando, derramar liberdade e humor numa folha de papel.


E LÁ ESTAVA ELE: AO VIVO

Se é que o destino existe, foi ele quem armou naquela noite, um encontro com Robert Crumb.

Luiz Gê

“Deus quis que eu o encontrasse. Eu, fanático pela obra deste homem, profundo conhecedor de cada uma das suas histórias e personagens. Deus quis.

Eu me preparava para ir a um jantar de recepção do Festival de Cannes, com um casal de amigos franceses, e ainda não havia encontrado nenhum artista conhecido. Às onze da noite, a caminho do tal jantar, passamos por um centro de convenções meio vazio. Minha amiga francesa me disse: “Você reclamou que não tinha ninguém conhecido neste Salão? Olha lá...”

E lá estava ele. Robert Crumb, sua mulher Aline e a filhinha, os três num sofá. A menina dormia. Fiquei meio paralisado, mas pensei: se não falar com ele, vou me odiar pelo resto da vida... Cheguei perto do grande mestre dos comics, e minhas primeiras palavras foram: “O último cara famoso com quem eu tentei conversar foi Fidel Castro...” Crumb não entendeu nada.

Comentei então que Aline era muito mais bonita que sua autocaricatura, numa célebre história realizada a quatro mãos pelo casal Crumb. Robert disse que ela tinha se desenhado feia de propósito, só para receber elogios ao vivo. Crumb também achou estranho como alguém podia conhecer tanto sua obra num país tão distante como o Brasil.

Em estado de choque (e de graça), não pedi nem um desenhinho autografado...”




EUROPA, PERNAMBUCO, E O FUTURO

É Watson Portela hoje um dos mais importantes quadrinhistas brasileiros

Faltam desenhistas “sérios” nos quadrinhos brasileiros. Quer dizer, o Brasil está cheio de desenhistas de humor, mas são poucos os que se dedicam a produzir quadrinhos de aventuras, sem compromisso com o humor.

Uma dessas raras revelações é Watson Portela, um pernambucano de 36 anos, que já tem até fã-clube. Junto com a revista de Robert Crumb, a Press Editorial está lançando também um grande álbum de Watson Portela, que leva o nome de suas histórias mais conhecida: Paralelas.

Watson deixa claro em seu álbum a profunda influência de desenhistas franceses em sua formação – especialmente Jean Giraud, mais conhecido como Moebius. Na história “Código 52”, ele faz também uma divertida paródia de Tintin, que aparece adulto e de barba. Mas as histórias são passadas num Brasil do futuro. Quem presta mais atenção pode observar naves com bandeiras de Pernambuco e do Distrito Federal.


O clima geral das histórias de Watson Portela é de angústia e pessimismo, com muita violência, solidão e monstros pegajosos. O que ele procura imaginar é um mundo completamente devastado pela guerra nuclear e pela poluição, mas onde as cidades ainda funcionam. Um trabalho de altíssimo nível gráfico.

SPEKTRO #3 - INK BLOOD


SPEKTRO #3
Editora Ink Blood
Com autorização do editor

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HISTÓRIAS DO FAROESTE 12


HISTÓRIAS DO FAROESTE #12
Editora Vecchi

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EDIÇÃO RARÍSSIMA - SEPÉ


SELEÇÕES GAÚCHAS
SEPÉ
Cetpa Editora
Arte de Flávio Colin

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ZIRALDO - TURMA DO PERERÊ


A TURMA DO PERERÊ
FAZENDO ECO
Editora Positivo

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SARGENTO ROCK


SARGENTO ROCK
PRIMEIROS COMBATES
Joe Kubert
Ópera Graphica

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MICKEY MALTESE



MICKEY MALTESE
Volumes 1 e 2
Editora Abril

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REUPANDO - ATENDENDO PEDIDO



FUTEBOL E RAÇA
Editora Cedibra
Desenhos de Mozart Couto
Edições 1 e 2

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segunda-feira, novembro 20, 2017

ALEX TOTH


EM PORTUGUÊS


BRAVO FOR ADVENTURE
Alex Toth

Tradução e letras: PC Castilho

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WARREN COMPANION - 2ª PARTE


WARREN COMPANION

A ERA OBSCURA
VAMPIRELLA E OS DIAS OBSCUROS

Entrevista com Jim Warren, criador/proprietário da editora Warren, responsável pelas revistas Eerie, Creepy e Vampirella

Tradução de Ane Forcato

(Parte II de II)

Jon: Quem é E. Preston, listado como editor da Teen Love Stories?

Jim: É um nome fictício.

Jon: A mesma coisa ocorre com Rochelle Larkin, editora creditada de Freak-Out U.S.A.?

Jim: Não. Rochelle Larkin era bem real. Ela escrevia pra muitas revistas de fãs de cinema e... [ergue a revista Tiny Tim] Já viu isso?

Jon: Claro! É mesmo muito bizarra!

Jim: Eu concordo. O conteúdo é incrivelmente bizarro. Rochelle Larkin chegou pra mim com a ideia de fazer uma edição única sobre essa personalidade do show-biz que de forma desavergonhada de entitula Tiny Tim*. Oh m**, eu tenho mesmo que te contar essa história? Tudo bem, lá vai:
(*alusão a membro sexual minúsculo, apesar do nome soar ingênuo como Tinzinho)

Eu soube que esse Tiny Tim era a sensação do momento, mas eu falei para Rochelle que nós não fazíamos revistas sobre animadores. Aí, naquela mesma noite, eu vi o Tiny Tim no Tonight Show do Johnny Carson. Ele era esquisito, porém carismático. E estranhamente agradável. O auditório gostou dele. Johnny Carson gostou dele. Ed McMahon gostou dele. Na manhã seguinte, num rompante de loucura nunca mais visto desde Calígula, chamei a Rochelle e lhe disse que faria a edição única sobre o Tiny Tim. De novo, o resto é história. História sórdida.

Jon: [risos] Bem, estou aqui pra desenterrar coisas, Jim! E a edição deu certo?

Jim: Eu vou te dar alguns números... nós produzimos essa revista de 74 páginas em menos de três dias, imprimimos 250.000 cópias e as colocamos nas bancas dez dias depois. Muito pouca gente soube que ela vinha da Editora Warren.

Jon: Ela te constrangia, Jim?

Jim: Sim. Constranger não é a palavra. Eu não fiquei constrangido com o dinheiro que ela fez - mas eu certamente não estava orgulhoso. Você poderia dizer que ela foi produzida em 72 horas. A única desculpa que eu posso dar é que a companhia precisava demais do dinheiro, e eu fui obrigado a apostar. Se você pegar a qualidade das nossas revistas no período de 1969, verá como estávamos ruins. Estávamos em péssima forma financeiramente. Podemos falar de outra coisa?


Jon: Certo, o outro artefato dos dias de bicho-grilo: Freak Out U.S.A.!

Jim: Outro experimento Warren que deu errado nos psicodélicos anos 60. A juventude americana estava experimentando drogas, e a Editora Warren estava experimentando revistas de contra-cultura.

Jon [apontando para um artigo]: Nossa Country Joe and the Fish. É de 1967 e tem o Jim Morrison!

Jim: O The Doors era um grupo de meninos, mas eu percebi que eram parte da onda cultural que revolucionou a música. Quando ouvi Simon & Garfunkel pela primeira vez, eu não pude acreditar em como eram bons.

Jon: Longe disso, cara! [risos]

Jim: Eu queria saber se a companhia pertencia a esse novo mundo, pra ver se poderíamos cavar um nicho com a revista Warren. Eu estava com mais de 35 anos, provavelmente atravessando a crise obrigatória da meia idade.  O resultado foi nossa Freak Out U.S.A. Foi uma bomba. Claro, não podíamos competir com as outras revistas adolescentes de peso - Teen Beat, Tiger Beat, Circus, Rolling Stone...

Jon: Isso é obviamente um tanto mais sofisticado do que Teen Beat!

Jim: Obrigado pelo elogio, mas eu meio que não sabia que raio eu estava fazendo, na época.

Jon: Você não estava tentando explorar material inócuo da puberdade; você realmente estava se preocupando com música.

Jim: Sem modinhas pra mocinha. Estava mais interessado em bandas e sua música. "Material inócuo da puberdade"? É assim que se fala na cidade de Rhode Island de onde você vem?

Jon: Ahh, calaboca! [risos] O que tem a ver acima do logo da Freak Out U.S.A. onde vem escrito "Apresentando o que está em cena"?

Jim: Só um artifício pra enganar todos os atacadistas. Nos registrávamos a "Apresentando o que está em cena" como trimestral - então os vendedores não iam pensar que Freak Out U.S.A. era um novo título. Muitos atacadistas se recusavam a pegar títulos novos de editores menores até que a revista estivesse em sua quarta ou quinta publicação. Era sua mentalidade de negócios. Você deve imaginar como ajudava um editor como eu, tentando estabelecer um título novo, uma ideia nova, qualquer coisa nova. De volta àqueles tempos, se eu quisesse descrever um atacadista, eu pegaria a enciclopédia e transformaria o termo em "cretino". Aí leia toda a descrição.


Jon: [mostrando um "erro" de distribuidor na capa] O que significa "PDC"?

Jim: PDC significa Corporação de Distribuição de Editores (Publishers Distributing Corporation), concorrente da Independent News (chefiado por Paul Sampliner e Jack Liebowitz, que também era dono da DC Comics).

O CONSULTOR DO TERROR

Em 1970, a Editora Warren estava começando a se reerguer depois de um par de anos bem difíceis. A chegada de Vampirella foi o alardeou a revitalização e isso era especialmente evidente quando o queridinho da Warren, Archie Goodwin, voltou por um rápido período para dar vida às revistas de terror. Cortesia de Anne T. Murphy, o que se segue são algumas sugestões que Archie fez a Jim em um memorando de 3 de Abril de 1970.

“Caro Jim,
Já que você me pediu pra te dar uma mão na edição de Creepy, Eerie e Vampirella, eu defini algumas ideias sobre o que eu sinto ser os pontos fracos das revistas e o que poderia ser feito sobre isso, assim como sugerir algumas direções que deveriam ser tomadas. Desde que eu vá estar trabalhando majoritariamente com os escritores, grande parte disso tem a ver com os textos, mas eu cheguei a alguns outros pontos também (ocupado que eu sou). A maioria dos escritores e uma boa parte dos artistas são relativamente novos nesse campo, consequentemente o trabalho às vezes cai abaixo dos padrões profissionais. Mas em geral, também demonstra talento e entusiasmo (nossos ganhos sendo os que são, você sabe que eles precisam ter entusiasmo). Duas qualidades muito importantes; porque todos os padrões profissionais do mundo não poderiam substituí-los. Mas profissionalismo pode embelezá-los. No geral, é o que eu acho que os livros precisam... embelezamento e definição mais aguçada dos talentos básicos já exibidos neles. Principalmente isso leva tempo e dedicação das pessoas envolvidas. Espero que alguns dos comentários a seguir possam ajudar...

Quo vadis? (frase latina que significa "Para onde vais?" ou "Aonde vais?") Quando eu estava publicando Creepy e Eerie pela primeira vez, despontou em mim em algum momento que nós podíamos provavelmente nunca duplicar o sucesso da EC em relação aos quadrinhos de terror. Eles eram excelentes; mas de uma forma que pertence aos anos 50. Com poucas exceções (notáveis), a abordagem deles era quase humor negro; as histórias era invariavelmente piadas doentias, muitas vezes bem inteligentes. Pensei então, e ainda penso, que uma abordagem mais ampla é necessária. Se é que as revistas devem se parecer com algo, é provavelmente o antigo Weird Tales. A EC tinha quatro histórias mais ou menos do mesmo estilo, mas com sete por edição, nós teríamos mais diversidade. Weird Tales tinha terror do Lovecraft, Capa & Espada de Howard, e ocasionalmente ficção científica de Long. Creepy, Eerie e Vampirella podia ter exatamente a mesma combinação. Recentemente, eu acho, tem aparecido ficção científica demais; ela devia ser apontada como um item de mudança de ritmo (uma ou duas histórias de ficção científica por edição desequilibra o tom dos livros, que deveria ser sobrenatural). O volume das nossas histórias ainda serão essa variedade com finais surpreendentes, mas eu acho de devíamos tentar outros que não necessariamente dependam do final astucioso, mas que evoque um clima definitivo de horror e do sobrenatural. Muito de Lovecraft e Poe é assim; o terror vem de um desenrolar e desvendar gradual de um terror estranho, mais do que se apoiar na reviravolta que dá um solavanco totalmente inesperado no leitor. O mesmo se aplica à Capa & Espada; não há nenhuma razão pela qual algo dessa natureza tenha de ter um final surpreendente, mesmo porque os demais elementos são fortes o bastante. No futuro, vamos testar também as histórias mais longas, de forma que temas mais complexos possam ser desenvolvidos, e talvez ocasionalmente usar histórias com personagens que tenham continuidade. Isso é algo que eu terei de organizar melhor depois que me tornar mais familiarizado com os escritores e artistas.

Nada do que eu disse nessa missiva imensa (pra cair no Creepy-ando) deve ser realmente levado a ferro e a fogo, mas mais como apontamentos e guias. Alguém poderia se sentar, propositalmente ignorar os pontos que eu cobri, e talvez aparecer com uma obra-prima que faça qualquer coisa que eu já tenha feito ser uma vergonha. Se alguém fizer isso, eu espero que pelo menos nós tenhamos a chance de comprar. Muito do que eu mencionei, nossos contribuintes já estão cientes provavelmente, mas se nós cobríssemos algo que eles negligenciaram ou talvez não tenham pensado ainda ia ajudar, e aí a fita da minha máquina de escrever não ia ter se esgotado do pouquinho de tinta que restava em vão...

Tudo de bom,  

Archie


TRINA ROBBINS: DESIGNER DE VAMPIRAS

Foi em 1968 ou 69 (Caramba, eu esqueço!) e Jim Warren já estava publicando Creepy e Eerie, e eu o encontrei (acho que foi numa convenção?- Ah, me falha a memória!) e lhe mostrei meus quadrinhos  pobres coitados subdesenvolvidos e ele falou que ele talvez tivesse trabalho pra mim - ele estava pra publicar uma revista em quadrinhos com um tema feminino, ultra secreto, o que é claro acabou se tornando a Vampirella. Então eu fui ao seu escritório e até tentei fazer quadrinhos pra ele, mas vamos encarar a verdade, eu não era boa o bastante. De qualquer forma, a certo momento estava eu sentada no escritório dele quando veio uma ligação do Frank Frazetta, que estava fazendo a capa da primeira edição. A julgar pelo que eu estava ouvindo do Jim desse lado da linha, o Frank não estava acertando nos trajes. O Jim ia falando coisas do tipo, "Não, faça mais cavado nas pernas", e " a gola devia ser levantada". Então enquanto eu ouvia isso, eu rascunhei o traje numa folha de papel e passei pro Jim que então disse: "Só um minuto, tem uma jovem senhora aqui que sabe o que eu quero. Fale com ela." Ele me deu o fone e eu descrevi minuciosamente ao Frank exatamente o que eu havia desenhado (eu nunca o encontrei pessoalmente!) Meu pagamento foi uma assinatura vitalícia de Vampirella, que na verdade acabou em 1973 mais ou menos.

Atualmente, quando ouvem que eu desenhei o traje da Vampi, sabendo a feminista que eu sou e o quanto eu odeio quadrinhos de "bad girls", ficam confusos, até que eu mostre o quanto mais ela vestia naqueles dias, e o quanto a Vampi de hoje nada tem da original.

Recentemente eu tomei um café com uma mulher que está lecionando sobre super-heroínas na Universidade de Berkeley, e ela me falou que cresceu lendo a Vampi original e o quanto ela amava porque era a única revista em quadrinhos liderada por uma mulher forte, mas que recentemente ela tinha lido a Vampirella atual e ficou horrorizada e enojada com o que viu.

-Trina Robbins,

Janeiro de 1999



Jon: Você entrou com a PDC depois da experiência infeliz com Kable?

Jim: Sim.

Jon: Qual era o seu relacionamento com a PDC?

Jim: Como qualquer outra editora com qualquer outro distribuidor da época, era pedreira. Ninguém estava feliz com seu distribuidor, a menos que fosse da Palyboy ou da Mad...

Jon: [risos] A menos que fossem da Independent.

Jim: Larry Flint da Hustler finalmente comprou a PDC. Naquele dia eu decidi mudar de distribuição. E aí fomos pra Independent News. Nós finalmente chegamos ao pico da carreira.

Jon: Quem era Paul Laikin?

Jim: Paul Laikin escrevia pra Cracked. Depois mais tarde ele substituiu Harvey Kurtzman como meu editor satírico da Wildest Westerns. Ele agora é visto, ou era visto, na revista New York. Ele tem uma das mentes mais hilárias do mundo. Ele vinha muito no nosso escritório. Era um prazer de se ter por perto. Paul e eu nos dávamos super bem. Eu adorava o senso de humor dele.

Jon: Sabe, se eu puder dar um pulo um pouco adiante pra 1969, 1970. Web of Horror saiu e Skywald realmente começou. Você acha que deve ter havido uma conexão entre Warren talvez, e as revistas de terror que estavam num período desbotado, que eles podem ter visto uma chance de atingir o mercado? Quero dizer, você sentiu algo sobre isso porque, obviamente, houve uma ligeira queda na qualidade do material que estava nos livros da Warren?

Jim: Não, não houve uma ligeira queda na qualidade. Houve um deslizamento de terra pro abismo na qualidade. Estamos de volta a 1969, 1970, dois anos duríssimos pra nossa companhia. Foi uma época horrível pra Editora Warren. Cada companhia - não me importo se é a General Motors ou a IBM - atinge tempos difíceis, e nós estávamos no nosso pior. Eu imprimia cópias demais, as vendas eram pífias na indústria, o preço do papel disparou, e toda espécie de negócio pequeno convergiram de uma vez. Para fazer a folha de pagamento, eu esvaziei minhas economias pessoais. Fechamos nossos escritórios na Filadélfia. Mudei nosso Escritório de Nova York para um cubículo na Rua 42 que era quase do tamanho de uma cabine telefônica. Tínhamos uma equipe minguada, talvez sete ou oito pessoas, eu incluso. E devíamos ao nosso editor 250 mil dólares - um monte de dinheiro, na época. Mas nós fizemos nosso retorno. Demos uma guinada na empresa, quitamos com o editor, fomos pagando todo mundo pra quem devíamos, mas levou até 1971 pra resolver tudo. A concorrência não teve nada a ver com a queda na nossa qualidade. Nada em absoluto. Sua pergunta foi: "Eles nos viram cair e se apressaram?" Não, eu acho que não.


Jon: Mas eles estavam publicando alguns dos artistas mais quentes. Web of Horror era renomada por ter Jeff Jones, Mike Kaluta, Bernie Wrightson, Ralph Reese - um bom punhado de caras que estavam mesmo chegando pra ficar na época - e eles não foram pra Warren. Eles trabalharam pra arrogante Web of Horror.


Jim: A razão pela qual eles não foram pra Warren foi porque a Warren não estava comprando qualquer arte nova. Não podíamos nos dar esse luxo. Estávamos usando reimpressões naquela época. Se você olhar pra nossas publicações de 1968-69, vai ver montes de reimpressões. Não podíamos pagar a faixa de $35 a página. 

Jon: Por que a Warren não desenvolveu uma revista em quadrinhos de humor semelhante a Mad, Sick, Cracked? Você ficava ponderando sobre isso nos anos 60, mesmo que diga que não gostaria de ir contra o Bill Gaines?

Jim: Não nos anos 60. Nos anos 70, depois que tínhamos nos recuperado do recuo nos negócios - depois que Creppy, Eerie, Vampirella e FM estavam numa situação saudável - eu pensei numa revista de humor. Porém, eu não queria entrar no negocio a menos que tivéssemos uma chance de ser os melhores.


Jon: Então o que você imaginou nos anos 70?

Jim: Eu considerei comprar a revista Cracked.

Jon: Em 1957 ou 58 você compreendeu, obviamente, que Hugh Hefner teve um grande história de sucesso com a Playboy e você tentou a sua própria revista, After Hours. Estabeleceu Famous Monsters, seu próprio estilo de revista. Lançou alguns hits nos anos 70, incluindo National Lampoon, uma história com sucesso fabuloso. Você considerou fazer uma revista de humor junto com aquele tipo de filão?

Jim: Não. Minha idéia pra uma revista de humor era ter o Harvey Kurtzman como editor e aí sair com algo que não era a Mad, mas algo em um nível mais alto. "Mais alto" não querendo dizer intelectualmente mais alto, mas mais alto em faixa etária. O leitor médio da Mad estava, digamos, entre 12 e 14. O que o Harvey e eu ambicionávamos era a faixa de 22-24 e o meu melhor em humor apareceu em Help!

Jon: E nos anos 70 havia a Lampoon


Jim: Esse não era exatamente o tipo de humor que o Harvey e eu tínhamos em mente.

Jon: Você queria invadir o mercado slick (de revistas de melhor qualidade)?
Jim: Não slick, em si. O conteúdo conta mais do que ser melhor impresso em papel melhor.

Jon: Tinha muito dinheiro em jogo a se ganhar, certo? Claro, e muito a se perder também.

Jim: National Lampoon tinha que ser slick pra conseguir chegar lá porque partiu pros anunciantes. Ela dependia dos anunciantes. Eu não queria invadir o mercado slick só porque era slick. O único mercado que eu queria invadir era um mercado pelo qual eu pudesse sentir paixão e um assunto que eu gostasse. E eu gosto desse aqui [dando um tapinha em Creepy]. Eu não era louco por essa [apontando para Teen Love Stories] em si.

Jon: As pessoas tomavam a Warren como modelo - consciente ou inconscientemente - e nos anos 70 havia a Heavy Metal que surgiu como uma revista slick. Lá pelos anos 70, Fangoria - outra slick - estava usurpando o espaço da FM. National Lampoon, uma meio que descendente de Help!, era popular. Editores tomaram o modelo da Warren e o aplicaram em algumas slicks que foram um tremendo sucesso.

Jim: Eu tinha meu próprio conceito na linha de Heavy Metal chamada POW! Seria uma revista adulta.


Jon: Qual era a idéia por trás dela?

Jim: Eu queria um conceito adulto ou semi-adulto porque eu vi as coisas que estavam vindo da Europa e eu segurei os direitos delas. Eu vi The Story of O e eu vi Scarlet. Livros de capa dura estavam sendo lançados. Eu pensei que estávamos prontos para um mercado como esse na América - e ficou comprovado pelo sucesso da Heavy Metal. Eu tinha o conceito de pegar o tipo de coisa que o Corben estava fazendo e lançar a POW! Mas nunca aconteceu.

Jon: Você começou a pensar nisso mais ou menos durante o tempo de Vampirella - 1969 ou 70?

Jim: Não. Foi depois.

Jon: Eu conversei com o Nick Cuti e ele se lembra sendo em 1969, 1970 que você e o Wally Wood começaram a discutir sobre POW!

Jim: Não. Não poderia ser, porque Vampirella não foi lançada até '69. Minha lembrança - e não sei se ela difere da de Nick - é que eu não comecei a pensar na POW! até o começo dos anos 70. Não concebo ter sequer cogitado aquela palavra antes de 1971 ou '72. O que o Nick disse?

Jon: Ele foi para Charlton em 1972 então devia ter sido entre 1969 e 1972.

Jim: Foi provavelmente em 1971.

Jon: Com Vampirella você restabeleceu um relacionamento com Wally Wood, correto, depois de ele ter feito uma longa pausa?

Jim: Ele estava publicando sua própria revista. Eu lhe disse: "Wally, se você se tornar um editor, vamos ser concorrentes. Vamos competir pelos mesmos consumidores. Sempre serei civilizado, amigável até certo ponto, mas tenho que te considerar um concorrente." Ele nunca entendeu isso direito. E ele publicou mesmo sua própria revista por algum tempo.


Jon: Witzend?

Jim: Isso. Oh, era maravilhosa. Era um livro incrível.

Jon: Mas não tinha distribuição nacional.

Jim: Não.

Jon: Quem surgiu com a idéia para a POW!? Foi Wally ou você ou uma combinação?

Jim: Eu acho que foi um misto de ambos. Eu fui numa viagem à Europa, e vi todas assas coisas interessantes vindo da França. Não me lembro quem apareceu com o título POW! Eu me lembro que no começo dos anos 70 eu queria entrar no campo adulto com o Wally Wood.

Jon: Então os conteúdos seriam todos tipo de gênero, nada específico? Haveria ficção científica, crimes, aventura? Somente histórias poderosas.

Jim: Nada específico. O único requisito era ter ótima arte e história.

Jon: Mas você também queria ser provocador, certo? Haveria sexo e violência pesada. Falando sobre um livro que era algo parecido com isso, que parecia querer se focalizar no mesmo tipo de público era um livro chamado His Name Is... Savage de Gil Kane. O Gil alguma vez te abordou para publicar aquela revista?

Jim: Eu não me lembro.

Jon: Você se lembra se ele te pediu algum conselho, porque ele faliu bem depressa. Ele lançou um único exemplar.

Jim: Eu não me lembro se eu conversei com o Gil antes ou depois do lançamento. Ele queria fazer por conta própria, e ele fez e foi bom. Mas eu não tive nenhum envolvimento.

Jon: O que aconteceu com POW!?

Jim: Culpa minha. Eu não fui decisivo o bastante. Produzimos muitas páginas. Eu tinha montes de traduções prontas do francês e do italiano para o inglês. Não consigo pensar em nada que tivesse me impedido de realizá-la, mas eu não agarrei a oportunidade quando eu devia. Estava envolvido com outras coisas que me levaram pra longe do projeto. Adicionando o fato de eu não ter conseguido encontrar o editor certo.

Jon: Você sofreu algum processo com o Nick Cuti?

Jim: Processo? Não me lembro de nenhum.

Jon: O Nick falou que fora contratado como editor da POW! mas que não frutificou.

Jim: Não recordo de nenhum processo. O único cara com quem eu tive um litígio foi o Wally Wood, na Corte de Pequenas Causas. Se o Nick diz que sim, então deve ter acontecido. Quem venceu? 

Jon: Ele falou que foi ele. Ele falou que recebeu dinheiro de volta. Encontramos histórias que aparentemente eram destinadas para a primeira edição de POW! "Mother Earth", uma história de Jeff Jones e Archie Goodwin. Uma história de crime de Wally Wood e Ernie Colón que foi finalmente publicada em 1984.

Jon: Você se lembra de ter publicado uma carta de Juramento de Fidelidade pra freelancers assinarem?

Jim: Não me lembro absolutamente. Você vai ter que refrescar minha memória.

Jon: Eu ouvi isso de numerosas fontes. Segundo dizem, você mandava uma carta para freelancers para que assinassem, atestando que trabalhariam exclusivamente para a Warren, e não para a concorrência. Tom Sutton disse que riu dela. Você leu a entrevista dele no The Comics Journal?

Jim: Não, mas alguém me mandou um email a respeito, com a descrição de Tom me pedindo um aumento de 20%. E era esperado que eu lhe perguntasse: " Isso quer dizer, Tom, que a qualidade do seu trabalho vai ser 20% melhor?" o que, é óbvio, era uma coisa medonha pra se dizer a um artista ou a qualquer talento criativo. Algo terrível pra se dizer a um artista. Eu me arrependi no mesmo instante que disse, mas era tarde demais. Meu lado de homem de negócios tomou conta. Agora eu me lembro da carta da qual você perguntou. Era pra ser um acordo de não-competitividade. Se você trabalhasse pra qualquer outro concorrente, eu não te quero. Eu tinha um sentimento muito forte nesse sentido. Perdi um par de caras muito bons.

Jon: E você escolheu ignorar essa política depois?

Jim: Sim. Meu advogado na época me falou: "Você está fazendo a coisa errada. A menos que possa dar aos artistas todo o trabalho que eles precisem, você realmente não tem o direito de dizer a um artista, "Você não pode ganhar a vida em outro lugar", a menos que você tenha um contrato de exclusividade com ele, e você seja capaz de garantir o sustento dele, dando-lhe um cheque todo mês tenha ele trabalhado ou não." E, obviamente, ele estava absolutamente certo. Então isso me escapou pelos vãos dos dedos, mas não me impediu de continuar detestando a concorrência. Nós falamos como o ódio destrói quem o sente. Eu fui ampliando esse ódio pelos meus artistas que fossem trabalhar na concorrência. Eu não queria mesmo que outros editores que houvessem roubado minhas idéias, roubassem meus artistas. Mas eu sei o que eu teria dito se eu tivesse sido um daqueles artistas e Jim Warren tivesse me chamado e dito: "Aqui está a carta. Assine." Eu teria dito: "Vá se f*d*r." [risos] Tenho permissão pra dizer isso? Essa é uma revista familiar?

Jon: [risos] Não.

Jim: É permitido que eu fale essas palavras?

Jon: Podemos falar essas palavras. Meu editor irá provavelmente insistir em colocar um asterisco no lugar das vogais, mas todo mundo vai saber o que você quis dizer. [risos]


Jim: Vou tentar não dizer de novo.